20
Jul

Discussão: Paixão e Amor

Esse é um post inédito. Porquê se trata de uma conversa filosófica com a minha queria Marina sobre os assuntos citados. Espero que vocês acompanhem a linha de raciocínio inédito, onde em tese, eu fiquei com a teoria lógica, o que em si já é uma loucura! Ai vai os melhores momentos:

Gabriel diz:

Paixão eu sei definir depois que ela vai embora sem virar amor. Mas realmente definir é impraticavel.

——- марина diz:

nao estou sendo poética

——- марина diz:

estou sendo analítica

——- марина diz:

me diz pra vc qual a diferença entre paixao e amor?

Gabriel diz:

Posso dizer o que é pra mim, claro que não o conceito geral,

——- марина diz:

só interessa pra vc

——- марина diz:

cada um ama de um jeito, é mto pessoal.

——- марина diz:

enfim, diga

Gabriel diz:

Paixão é quando algo me deixa fascinado. A beira de não conseguir explicar o porquê ou sentindo. Até o ter um conhecimento “total” sobre ela e algo muda, não é perda de interesse, mas é criar uma expectativa e ao mesmo tempo saber que isso é absurdo, mas ainda sim ver que aquilo não é real. Que o sentia era algo que não era totalmente certo seja qual for o motivo,

Gabriel diz:

Sendo clichê, é como amar por um motivo errado. E só depois que algo dá errado, eu vejo isso.

——- марина diz:

paixão é amar um alguém criado por nós mesmos?

——- марина diz:

é, gostei da definição

Gabriel diz:

Exato!!!!

——- марина diz:

em suma, paixão = ilusão voluntaria

Gabriel diz:

Como você faz isso? Pega tudo que eu falo e define tudo em 1 frase??? AAHAHAHHAHAHAHAHA

——- марина diz:

XDDDD pq vc ja me deu todo o paragrafo

——- марина diz:

aí fica fácil resumir

——- марина diz:

sua definição de paixão é logicamente infalível xDDD gostei

——- марина diz:

mas não gostei dela tb

——- марина diz:

ela praticamente diz que paixão é um erro

Gabriel diz:

AHAHAHAAHAHAHAHHA

Gabriel diz:

Logicamente infalível! Então eu vou salvar isso e publicar como um estudo sociológico e fazer milhões com livros de auto ajuda! AHAHAAHAHAHAHAHAAH

Gabriel diz:

Mas, brincadeiras a parte,

Gabriel diz:

Eu acredito nisso,

Gabriel diz:

Mas o quesito certo da paixão é,

Gabriel diz:

Assim que ela acontece, ela é motivada em seguida por algo maior,

Gabriel diz:

A beleza da outra pessoa se renova a cada contato,

Gabriel diz:

O querer estar perto se faz e não é um desejo somente. Você adora aquela pessoa pelos defeitos, pela forma que ela lhe desafia e lhe completa. Quando você funciona melhor com ela do que sem.

Gabriel diz:

Nisso a paixão é só um excitante prefácio para o show de verdade que é o amor.

——- марина diz:

e o que é amor?

Gabriel diz:

Ah, ai eu não eu quero colocar em palavras.

Gabriel diz:

Como você mesma disse, cada um tem o seu,

——- марина diz:

o seu é?

Gabriel diz:

E ele é melhor dito quando sentido mesmo. E agora eu estou neutro. HAHAAHHAHAHAAHAHA

——- марина diz:

pq tudo o que vc me descreveu de paixão, fora o “erro”, pra mim parece amor.

Gabriel diz:

O que é ótimo! Por que a diferença do “erro” para o “certo” é justamente a pessoa certa, isso completa o sentido de que a “paixão é só um excitante prefácio para o show de verdade que é o amor”. (gostei dessa frase, vou vender para cartões de dia dos namorados ahhahahahh)

——- марина diz:

vc percebe que ela foi completamente falaciosa a partir de um trocadilho, né?

——- марина diz:

nela vc ignorou tudo o que disse acima e falou que a diferença entre paixão e amor depende de se a outra pessoa é a certa pra vc, e nao do seu proprio sentimento

——- марина diz:

o que me parece absurdo xD

Gabriel diz:

AHAHAHAHAHAAHAHAHAHA

Gabriel diz:

Bem, pra mim amor é sempre absurdo! (clichê viu?)

——- марина diz:

chega de falácia vai xD faz sério xD

Gabriel diz:

Ok, deixa eu tentar,

Gabriel diz:

É difícil agora! Eu não estou sentindo isso por ninguém, definir o amor agora é um ato de revisitar sentimentos passados que me levaram para algo vazio depois por que deram errado.

Gabriel diz:

——- марина diz:

pra mim é simples e complexo

——- марина diz:

de maneira simplista (simplista, e nao simples)

paixao se fundamenta em desejo sexual e amor se fundamenta em carinho

——- марина diz:

mas

——- марина diz:

aprofundando apenas um pouquinho

——- марина diz:

nao existe amor sem desejo sexual nem paixao sem carinho

——- марина diz:

no fundo, por que a paixao nao pode ser um amor forte e o amor uma paixao carinhosa?

——- марина diz:

pra mim o mundo não é tão dividido em blocos

——- марина diz:

e essas duas coisas se entrelaçam demais

——- марина diz:

paixão é o que cega muito

——- марина diz:

mas tb existe amor que de alguma forma cega

——- марина diz:

e se for aprofundar ainda mais

——- марина diz:

carinho é um tipo de impulso sexual

——- марина diz:

então aí mano fudeu

——- марина diz:

xDDD

——- марина diz:

pq sua definição de paixão é logicamente infalível, e acaba com toda a minha reflexão paradoxal maneira

——- марина diz:

pra mim física quântica é um modelo, pra quando a matemática atingiu seu limite de tradução e, pra que ela continuasse a funcionar, seria necessário que ela se distoasse da própria realidade que ela traduzia

——- марина diz:

mas bom, talvez se eu estudasse física quântica eu mudasse de ideia (apesar de que meu professor de química vivia repetindo “gente, isto é apenas um modelo” então presumo que ele concordasse comigo de algum jeito)

Gabriel diz:

AHAHAHAHAAHAHAHAAH

Gabriel diz:

Mas é verdade, a física quântica é só um modelo, assim como ela se alto prega,

Gabriel diz:

Possibilidades é tudo.

——- марина diz:

xD

——- марина diz:

agora chegaaaa

——- марина diz:

eu adoro falar contigo mas eu sou um ser humano que precisa de descanso xDDD

Gabriel diz:

AHAHAHHAAUSHAUSHUASHJASHJAGSAKSASHAJSHJAHSUAHUAHSJAHU!!!!!!!!!!!!!

——- марина diz:

e que inferno meu eu nao consigo ir embora quando falo contigo seu merda

——- марина diz:

XDDDDDDD

Gabriel diz:

Nunca me descartaram por ser bom!

——- марина diz:

XDDDDDD

Gabriel diz:

Me sinto pior do que sendo ruim!HAAHAHAHAHA

——- марина diz:

SAESUIAHEUISAHEUISH OMG XDDD

——- марина diz:

enfim bjs moço o/

——- марина diz:

*sai correndo pra ele não prender mais

P.S: É uma conversa editada, mas realmente começou falando sobre paixão e amor, terminando sobre física quântica. Afinal, se você prestar bastante atenção, são assuntos bem parecidos, no final ninguém entende nada.

12
Jul

PercEuforia

Eu não sei como seguir daqui em diante. Verdade. Passo tempo demais pensando nisso. Meus planos estão mais do que fechados. Mas o que é isso? Idéias de a minha vontade construindo algo para mim no dia de amanhã.

Destino. Já disse várias vezes que acredito na sua força, e muitas outras que controlo o meu. Mas na verdade eu só penso no dia que ele fará sentido. Propósito.

Andamos em círculos em caixas forradas de sonhos. Busco esquecer o cenário e correr sobre o chão antes que ele desabe. Devo correr mais rápido em busca da segurança ou a adrenalina da provável fatalidade é boa demais? Eu desfiro socos em inimigos ou em fantasmas de uma vontade de ser feroz?

Cada rasgo na garganta quando grito soa doce com a força que atinjo o céu com meus desafetos para o Criador. Seus sinais e graças silenciosas não são suficientes para mim. Não. Eu quero mais!

Eu vejo ao meu redor, ouviu? Eu VEJO! Eu não fico só olhando. Eu sei onde você errou. Isso lhe deixa com raiva ou me faz um amaldiçoado?

Você está vendo agora que enquanto eu escrevo essas palavras em protesto a sua apatia, o meu sorriso chega ser até cínico. Sabe por quê? Claro que sabe.

Por que eu não ligo mais para isso.

O sorriso é tanto desprezo quanto sarcasmo por uma idéia como essa. O mero prazer de saber o quanto eu posso fazer com essas palavras, é mais capaz do que a sua ultima grande novidade.

Existência é a maior invenção depois da constatação do nada. Isso é meramente uma negativa para algo.

17
Jun

“Ok! Agora sim chegamos ao Inferno!”

Uma noite. Uma saga. Uma festa nas entranhas da cidade.

É de conhecimento de todos que vícios quando não são controlados podem levar uma pessoa a uma série de problemas. Todo viciado em recuperação tem como meta não cair mais em tentação e não se perder mais naquela coisa que controlava as suas vontades.

Mas quando esse vicio é algo bom? Que faz você se sentir vivo. Ele não vale a pena?

Essa teoria foi colocada a prova nesse final de semana, quando o meu vicio por festas atingiu um ponto critico, o que levou eu e a minha amiga parceira de blog, Isabela em uma saga pelas ruas da cidade em suas horas mais desertas.

Como toda grande história moderna, essa começa na internet.

Pouco mais das 21:30 da noite descubro que a festa que esperava acontecer no sábado da semana seguinte, na verdade aconteceria dentro de 3 horas. Morando de uma distância absurda do local, só restava procurar a ajuda dos amigos. Poucos estavam on line para responder. Sem ter como ir ou muito menos como voltar para casa, busco todos os recursos possíveis. Minha maquina de distorção de espaço-tempo ainda não está completa, então teletransporte estava fora de cogitação. O tempo passava e cada vez mais ficava difícil. O corpo já pedia pela sua dose. Um sábado à noite em casa é uma noite muito longa. Até que as 22:10 Isabela entra no MSN, e começo a falar dos efeitos colaterais da falta de uma dose. Do outro lado da janela do MSN Isabela joga uma luz. Um modo de voltar da festa.

Logo o céu se abre e começamos o plano para a noite. Chegar no local. Só há um modo. Ir de ônibus. Uma empreitada muito arriscada pelo horário e a provável falta de transporte nas ruas. Mas era um risco a se correr. Começo a me arrumar para a festa, óculos escuro no bolso, (em caso de ter que dormir em algum lugar e ter que voltar de dia para casa), dinheiro, documentos, celular, cigarro, isqueiro e logo estou pronto. Isabela chega e vamos para a parada mais próxima. A noite avança e as 23:30 não havia sinal de ônibus em lugar algum na rua. Sem muitas esperanças surge uma Kombi velha com o destino limitado há 1/4 do caminho. “Será?” Isabela me pergunta. “Não temos muita escolha. Vamos nessa.”

1 Mapa da festa copy

 

Só para provar, essa é a distância de onde estavamos e onde era a festa.

Dois lugares no fundo e lotado de pessoas aleatórias dos mais estranhos lugares. 20 Km por hora para que o carro não se desmanche no caminho e então chegamos no ponto de descer. Outro momento de tensão. Paramos longe da outra parada de ônibus. Andar na frente de um shopping fechado e cercado de camelôs que dormem sobre suas barracas para não serem roubados não é uma experiência que transmite segurança. Mas sem saída, andamos em busca do segundo meio para chegar à festa.

Um minuto para a meia noite. Respondo a pergunta de Isabela. Começo a duvidar se essa idéia era boa. “Como voltar para casa agora?”. Então um tiro no escuro resolve iluminar o horizonte. Um ônibus que não demonstrava ter ligação nenhuma com nossa história se mostra uma ferramenta do destino daquela noite. Felizes com o resultado, comemoramos a vitória só para saber que o inferno era o destino.

Como uma transição dimensional, o túnel nos levou para um local diferente. Carros estavam parados e o barulho era insuportável. O coletivo que estava atrás de nós se mostrou incapaz de seguir pelo nosso caminho, e perigosamente recuou da entrada do túnel para tomar outro rumo. O que poderia ter assustado o motorista de tal forma? E como um oráculo rogando avisos de cuidado para os viajantes, uma mulher ao nosso lado avisa. “Uma festa a frente cheia de bêbados está atrapalhando o transito. Vamos ficar aqui por um bom tempo”.

A profecia se cumpriu, mas desejávamos que fosse diferente. Lentamente chegamos ao local onde havia uma reunião de almas perdidas. Todas vestindo vestes amarelas. Mulheres horrendas, homens desfigurados e andando como zumbis. Uma micareta! A escória da cadeia social cercava nosso ônibus e o batia com suas mãos no vidro assustando todos no interior. Olhando para Isabela era certo, havíamos morrido em uma explosão na Kombi velha. O ônibus era só um transporte pelos portões do inferno, e havíamos chegado ao primeiro circulo, onde todos os nossos mais horrendos medos cercavam o nosso horizonte. E como bestas do inferno, os demônios se beijavam e trocavam fluidos na rua, um antro de blasfêmia e depravação que assustava a todos nós. Porém o destino ainda não havia se cumprido. O motorista havia feito um voto de honra em levar os passageiros ao seu destino, e era isso que ele faria! Esbravejando com as bestas, ele levava a passos pequenos o monstro de metal em diante para longe das criaturas que nos cercavam. E o sinal no horizonte mostrava a luz verde, ele joga o ônibus em cima das bestas, que assustadas correm. Ele acelera e passamos do bloqueio. A vitoria foi plena, mas muito tempo se perdeu. E logo o motorista apaga as luzes e segue em uma velocidade absurda para compensar o atraso. Aos trancos e sustos avançamos pelas ruas como um raio. Curvas tortuosas nos jogam para os lados e buracos nos levam ao céu. “Se não estamos mais no inferno, pelo menos vamos chegar lá bem rápido”, digo rindo para Isabela que como eu sorri nervoso. Beirando a loucura o motorista se mostra mais do que eficiente e cumpre a sua promessa. Deixa-nos mais próximo do nosso destino. Só resta agora atravessar algumas ruas desertas, passando da meia noite, em direção a festa.

Durante o caminho, acendo um cigarro e pergunto para um vigia de museu como chegar ao local. Estranhando a situação, ele nos dá as coordenadas e seguimos a pé pela noite em um cenário cheio de vida durante o dia, mas que agora lembrava um vale de sombras onde o som de pássaros, chegam a parecer um revoar de predadores com asas. Em algum tempo, achamos as luzes da praça e a igreja sendo reconstruída. Provavelmente estávamos vivos. Mais adiante acima de uma porta de uma casa velha, o nome do destino se mostrava para nós. A jornada havia chegado ao seu ponto de convergência.

Incrédulos, olhamos para o relógio. 00:48, estávamos finalmente lá.

Passamos pela portaria, descemos escadas, subimos outras, e logo a música mostra a sua origem.

Como em um sonho com rostos familiares, encontramos amigos que não esperávamos ver ali. Todos comemoram com sorrisos e braços abertos a nossa chegada no local.

Então dançamos e vimos que todo o martírio valeu à pena. O local era rústico, a iluminação sem muitos detalhes, o que dava uma idéia de ser tudo uma continuidade de uma viagem insólita em outra dimensão. Lindas garotas surgindo de um lado, homens de máscara e pinturas na cara do outro. Logo algumas das garotas beijavam outras garotas e essa cena bela se perdia ao ver dois homens se beijando. Uma constante que levou há um jogo que durou a noite inteira, chegando ao final de 5X2 para os beijos lésbicos, o que pra mim foi uma perfeita vitória e um agrado para a noite que ainda tinha mais surpresas.

Surgindo da mesa do DJ, um dos mascarados da noite pega um megafone e anuncia que o palco principal estava aberto agora. E que todos podiam ir para lá.

Como uma armadilha tramada por um demônio, todos foram levados ao palco principal, que se encontrava em um andar abaixo de um lance de escadas, cercado por saídas laterais que ficavam acima do palco. Em outras palavras, um buraco. Inadvertidos no início, todos nós dançamos ao som de músicas pulsantes. Mash ups, batidas conhecidas. Elevando a temperatura de forma considerável. Até que o Muse soa em uma batida eletrônica cantando “Supermassive Black Hole”, Era um sinal. O fogo queimava ao nosso redor. Cada pessoa era uma chama, e logo falamos um para o outro, “Agora sim! Nós chegamos ao Inferno!”

Se uma vez no Inferno, procure fazer parte do ambiente e faça amizades. Logo continuamos a dançar, beber, fumar em busca de agradar ao dono do estabelecimento. Conheço Lúcifer e o seu senso de humor, e acredito que ele gostou da festa assim como nós. Brincamos como crianças com uma bola jogando uns nos outros, depois pulamos gritando “Never do what they told ya”, balançando a cabeça e gritando na rebeldia alegórica ao sons de guitarra e bateria eletrônica. A vida escorria com o suor por toda a pista. E assim foi por um bom tempo, até que resolvemos parar. A noite estava cansativa, então fomos mais uma vez para a parte alta da festa.

Mais calma que o buraco, mas nem por isso menos viva. A música era relaxante e boa. Perfeita para acalmar as pernas e fumar um cigarro olhando algumas garotas na pista. Em meio às conversas com os amigos, figuras estranhas aparecem como sendo os fatores caóticos. Em meio a algumas músicas bizarras, Isabela foi abordada junto com um amigo por um “figura” com uma série de perguntas um tanto quanto estranhas, que levaram a questão:
-“Eu queria saber se rolava da gente fazer um mix. Então resolvi perguntar para não parecer desrespeitoso”

Ao ouvir a história assim que ela havia terminado, me juntei aos risos dos dois sobre o absurdo do momento. Inevitavelmente a festa ainda mantinha momentos estranhos como esse em sua história.

A noite chegava aos seus momentos finais, e cansados pedimos ajuda superior para poder nos levar para casa. Nos despedimos dos amigos que ainda se encontravam no local. Era hora de voltar para o mundo real. E com a carruagem de Nossa Senhora de Fátima, (ou o carro da mãe da Isabela), pegamos uma carona de volta para nossas casas. Agradeço a Isabela, a parceira no crime de uma noite que valeu cada uma das excentricidades para ter essa história de vida para contar.

De volta em casa, a noite que passou pelos mais distantes pontos das possibilidades, foi mais uma prova que alguns vícios são para a vida toda. E nem todos eles matam. Andar pelo Inferno e voltar é só uma aventura para se ter a sensação de estar vivo.

Seja no extremo que for, se for boa, naquela festa vou estar.

10
Jun

Lutando contra a necessidade de levantar e tomar o café.

Sons começam a fazer sentido na forma que os meus ouvidos percebem algo lá fora. Nesse instante os olhos voltam ao contexto. Pressiono as pálpebras. É, agora eu acordei.

Abro os olhos como se estivesse carregando toneladas, lentamente a luz do lado de fora não trás tanta agonia como sempre. O dia está cinza lá fora. Assim as paredes do meu quarto não refletem a luz do vilão metido a estrela que brilha lá fora. Ao tentar mudar a cabeça de sua original situação, sinto o peso. Ainda esta ali. Correndo agora por todos os cantos. O álcool da noite seguinte se mantém firme em mim.

Memórias de horas atrás na festa vem a minha cabeça. Como um flashback do LOST, tudo aparece fora de ordem e sem muita cronologia.

Vejo as conversas com os amigos antes de entrar na festa. Todas aquelas pessoas na frente e suas translúcidas trivialidades estampadas em modos, roupas e atitudes. Transpirando desejos de uma noite para serem vistos.

Olho ao redor e converso com os meus amigos. Todas as piadas internas de uma noite cheia de momentos divertidos em comentários e histórias para contar regadas as cervejas e cigarros que queimam pela noite na minha mão.

Então pisco pelo brisa fria que chega ao meu corpo. Contorcendo os braços, destilo um resido de sono que estava perdido entre algumas costelas, e o efeito me joga de volta para o sonho que foi interrompido pela realidade do acordar. Lá estava eu fugindo de uma invasão de outro planeta. As ruas estavam vazias, eram dez horas da noite e o supermercado estava deserto. Corria pelas prateleiras procurando coisas que me ajudariam a sobreviver ao impossível. Tudo estava ruindo. Que propósito o biscoito de chocolate vai ter amanhã quando não existe mais uma realidade normal lá fora? O que há lá fora?

Novamente a sensação de estar em outro lugar me atinge. Não me sinto correndo, estou deitado?

Espera, isso é o sonho de novo? Ignoro a realidade e me deixo por aqui mais um tempo? Provavelmente ainda não é 1 hora.

A luz atinge destruindo todas as imagens que corriam pelos meus olhos no supermercado assim que abro os olhos. O quarto ainda está meio escuro. Não tenho coragem para estender a mão e ver que horas são no celular. Estico os braços em busca do tremor no corpo que faz os músculos se estirarem ao ponto de jogar alguma endorfina no sangue. Sem muita resposta. A vontade de levantar perde de forma vergonhosa para os macios fios do lençol que se amarrou em mim.

Talvez essa seja a hora de levantar. Estou perdido no tempo sem saber se é cedo ou tarde para encarar a realidade de uma dia, em que tudo que eu quero é continuar sonhando com algo que não é conhecido. A frustração de saber que é domingo e nada vai acontecer a não ser a série que acompanho chega ao seu ultimo episódio. Cravo os dedos no tecido do lençol em busca da cama. Forço o corpo a se levantar e lentamente o álcool se solta e volta a minha cabeça. Sentado na cama eu sinto a tontura de que algo ainda sobrou da noite passada.

A garota de fora da cidade que você conheceu lá. Como os cachos do cabelo dela lembravam em alguma associação sem razão alguma, a cidade de onde ela vinha. Ao se despedir, propositalmente mirando a boca, fingi um acidente para conseguir sentir os lábios dela. Que em seguida sorriram de vergonha.

De volta ao agora, eu acho graça do momento. Não sei como me levo a fazer tais coisas, elas simplesmente tomam conta do momento. Como a próxima palavra surge na frente da anterior para continuar uma história. Eu estico as pernas em direção a cozinha, acordar não acontece até o momento de tomar o café.

Rezo para não ser tarde demais e que ainda tenha um pouco na cafeteira. Os passos me lembram que ainda estou com álcool o suficiente para ser no mínimo digno de nota a necessidade de se andar em linha reta. O café desce a caneca e logo o calor na boca trás a mensagem que isso é real e acordado é a próxima parada da consciência.

A festa começa a se fixar na memória, a garota entra na lista de “mulheres que me tomaram a atenção por uma noite”, e o sonho se aplica na categoria “O fim do mundo, e agora? O que eu faço? Sobrevivência em uma noite”.

20
Mai

It’s All about the Blues – Happy Birthday! You’re Drunk at the Moon.

O dia chegou. Bem, são 3 da manhã, então eu me apego as coisas boas da noite.

Faço 25 anos agora. E como toda madrugada boa de celebração semi-solitária na frente do computador escrevendo, eu me dissipo da realidade seguindo para o meu lugar favorito. Charlie’s Bar.

Eu me visto de forma impecável. Bom e velho terno preto, o chapéu Fedora tendendo para o cinza, a gravata da cor de cinzas, no bolso o cigarro escapa para a mão e junto com o fogo levado a boca, eu peço ao velho Billy no bar para me ver a primeira dose da noite.

O meu velho amigo Tom está no palco contando uma história de como passou uma noite até o amanhecer, sem parar, em uma grande jam session com a banda. Ele se divertiu tanto que tudo foi perfeito. Até que a sua mulher apareceu no meio da platéia, ela tinha lagrimas nos olhos por que estava preocupada. Sem saber onde ele estava ela havia corrido até o bar onde fazia o show. Triste, Tom fez a promessa que nunca mais tocaria novamente. Antes de continuar com juras de amor, a mulher lhe deu um tapa na cara, e disse para ele nunca mais brincar com uma coisa dessas. E em seguida pediu para ele tocar mais uma música para ela.

E foi assim que ele tocou músicas de amor para uma vida inteira, até a noite seguinte.

As damas ficam derretidas com os olhares fitando aquele velho galanteador por alguns segundos, suspirando. Até que ele diz:

- Isso até ela me deixar por aquele desgraçado de chapéu ali no bar!

Todos viram olhando para mim como se fossem arrancar a minha cabeça com os cinzeiros de aço em cima da mesa. Mas Tom continua:

- Mas como era o aniversário dele, eu acho que ele ganhou um presente de grego cheio de espinhos. Por que aquela mulher acabou com a minha vida! Senhoras e senhores, hoje é o aniversário do meu amigo, então ladies, façam o garoto feliz e dêem a ele um beijo de aniversário.

Logo os olhares de ódio se tornam sorrisos e Dorithy, Jenny, Candy, Cindy e Melany vem ao meu encontro fechando o meu rosto com o batom vermelho de suas bocas afiadas.

Eu levanto o meu copo para o Tom a música volta a tocar.

- É por conta da casa.

Charlie me dá o presente perfeito para a noite, um whisky que estava na estante do bar desde o dia em que ele abriu. Pego o meu copo e Candy me chama para a minha mesa de frente para o bar.

No guardanapo ela escreve “Não saia daqui sem o meu presente”, mais um beijo e sei que ela vai cumprir a promessa que me fez dizendo que ia fazer o céu ser tremer por mim se eu desse uma chance. Uma diabinha daquelas não brinca quando diz uma coisa dessas. Eu espero o presente ao final da noite, um presente já está garantido.

É a noite do Nighthawks At The Diner, e Tom está inspirado. A voz ecoa pelo salão cantando melodias que soam como os poemas das noites frias de New Orleans. Cada música conta uma história, e cada história soa familiar para todos ali. As palmas e os risos são constantes. É uma linda história vivida e contada pelo velho Tom, com a voz rasgada e entre goles no whisky.

Eu viajo fundo em boas lembranças da vida que passei. Que vivo há tanto tempo e ainda busco a boa felicidade em momentos que eu espero guardar como boas músicas. Histórias para guardar para onde o sempre me levar.

Na mesa, eu revivo muitas coisas, e claro, sempre uma ou outra garota surge para colorir as canções de amor, esperanças e desilusões. Aquela, a The One, ainda está por aparecer. È, esse presente ainda não chegou e estou esperando a promessa do destino dos justos, quando tudo aquilo que eu mereço vai bater na minha porta e dizer: “Face it tiger. You hit the Jackpott”. Pode ser Candy ou outra garota que ainda não conheço, mas até lá, Fumblin’ With the Blues.

Tom me chama para o palco falando que essa eu sei melhor do que ele. Não é exagero, a música é o quase o meu retrato, logo eu assumo o piado do Jimmy. A nuvem de nicotina que surge do meu cigarro e a luz jogada no meu rosto ajuda na hora de fingir que não existe ninguém na platéia.

A música corre pelas notas e eu me divirto como nunca cantando com Tom uma vida levada em meio à dead ends, mas sempre buscando uma janela para pular para a fuga perfeita. Acertando as teclas em sintonia com o contrabaixo. Fecho os olhos para sentir a música, mas não é necessário. Eu estou vivendo ela agora. Doce, cheia de torpor pelo álcool, com um a fumaça do cigarro fazendo a neblina para dar o clima de suspense, mas seguindo em frente na rua pelo greyhound bus, cantando um Blues pelas noites e apreciando tudo que tenho e desejando cada vez mais. “Querer tudo não é ganância, só uma visão sincera do que eu mereço”.

E a noite segue assim, eu no piano, Tom cantando e contando as histórias que todos adoram. Os sorrisos são verdadeiros. A diversão e a música só estão aquecendo a noite. Aquela festa onde os amigos estão nas mesas da frente e a bebida nunca acaba e as mulheres são todas belas. Ofereço uma música para Candy, o presente está garantido no final da noite, e ela merece um agrado. Adoro ver aquela garota sorrindo. Ela me manda um beijo e eu já sinto o perfume dela que vai ficar em mim por muitos dias.

E nós tocamos. Tom fala das estrelas de Los Angeles e como a cidade apaga o céu e ele espera que um dia essas luzes se apaguem. “The Angels need more light”, eu improviso e a história segue a diante, e vai sem parar até que a noite vai chegando ao seu fim.

Cada um dos amigos vai se despedindo, a festa foi realmente muito boa. Tom resiste mas termina a noite. Ele agradece os presentes e deseja a todos uma boa noite. Candy pega o meu paletó e vestida de vermelho me agarra pelo braço.

Agradeço a Tom pela noite, e como sempre ele fala:

- See you tomorrow night kid.

Eu aceno com a certeza e desço a rua com Candy ao meu lado, cantarolando a 7° do primeiro disco sabendo que novamente tenho um ano para agradecer e muitos mais para coletar. E como sempre…

Fumblin’ with the blues

Tom Waits

Friday left me fumblin’ with the blues
And it’s hard to win when you always lose
Because the nightspots spend your spirit
Beat your head against the wall
Two dead ends and you’ve still got to choose
You know the bartenders
They all know my name
And they catch me when I’m pulling up lame
And I’m a pool-shooting-shimmy-shyster shaking my head
When I should be living clean instead
You know the ladies I’ve been seeing off and on
Well they spend your love and then they’re gone
You can’t be lovin’ someone who is savage and cruel
Take your love and then they leave on out of town
No they do
Well now fallin’ in love is such a breeze
But its standin’ up that’s so hard for me
I wanna squeeze you but I’m scared to death I’d break your back
You know your perfume
Well it won’t let me be
You know the bartenders all know my name
And they catch me when I’m pulling up lame
And I’m a pool-shooting-shimmy-shyster shaking my head
When I should be living clean instead
Come on baby
Let your love light shine
Gotta bury me inside of your fire
Because your eyes are ‘nough to blind me
You’re like a-looking at the sun
You gotta whisper tell me I’m the one
Come on and whisper tell me I’m the one
Gotta whisper tell me I’m the one
Come on and whisper tell me I’m the one

Tom Waits 277758

05
Mai

Quando me perdi dentro da noite. (Where is my mind)

Tudo vai muito bem. Um plano perfeito. Passar a noite na casa de um amigo com uma galera, assistir filmes, ouvir boa música, conversar e beber. Uma boa festa. Tudo acertado. Lá vamos nós!

Cruzando a cidade do meu esconderijo com a cidade passando correndo pela janela do ônibus. A música acelera, e os ponteiros do tempo correm.

O Muse treme as cordas da guitarra com um show ao vivo pregando o apocalipse e o fim do começo, o mapa do problematique. Eu só vou adiante, no ritmo que a banda toca. Ao ponto em que o Prodigy canta Smack My Bicht Up eu já estou andando pelas ruas. As batidas e a guitarra agora são o referente das luzes e sons das ruas. A trilha sonora da vida ao redor. Não importa se tudo está correndo, em sua mente tudo está em câmera lenta, até o “POW” da música estourar nos seus ouvidos.

Encontro o amigo, entramos no carro. Parada local da festa. Casa vazia, muito álcool na geladeira. Red Vodka para começar a noite. Gelada, doce e forte. Cigarro para fazer a digestão.

Não leva muito tempo e as pessoas começam a chegar. O álcool realmente faz a união. Imagine quantas guerras seriam evitadas se todos nós só bebêssemos juntos? Não seria mais legal? Sem dúvida! Hey, mas esse sou eu falando. Álcool pra mim é coisa séria. Você tem que saber beber. Respeitar o que está tomando. No caso a cerveja cai bem.

E se bebe. Muito, diga-se de passagem. As conversas são sempre divertidas. A companhia é super agradável. Somos todos novos amigos socializando juntos o bom e velho Exorcista na TV. O demônio tomando o corpo de uma garota nunca foi tão divertido.

De repente você está conversando com a garota ao seu lado. Você está muito leve. Logo algo muda. Você não sabe o que, mas algo está apitando.

Tudo é escuro. Calma. É só os seus olhos que estão fechados. Como?

O som vem do bolso. Ao levar a mão ao celular você percebe que está deitado. E ao abrir os olhos você vê a luz tomando o quarto. Luz da manhã. O que é estranho para este horário da noite.

O que? Então se levanta e nada está como deveria. Pego o celular em busca de respostas. Somente para avisar que volto assim que descobrir como cheguei onde estou. Ao redor, várias latas de cerveja lembram que a festa foi farta. Porém o fim dela não está em minha memória. “O que aconteceu? Como eu vim parar na cama? Onde está todo mundo? Que horas são?”

Todas perguntas muito válidas. O culpado eu sei. O álcool. Bem, mas foi divertido ainda assim. Pelo o que me lembro.

Logo meu amigo entra no quarto. Ele não tem nenhuma das respostas que eu gostaria de ouvir. Pelo menos que façam sentido. Segundo ele, eu estava normal. Não fiz nada de estranho. Só parecia o que era, eu estava bêbado. Verdade, mas por que não me lembro de nada do que aconteceu. Flashs muito rasos aparecem, mas tenho quase certeza que se trata da minha imaginação tentando completar o vazio do que realmente aconteceu.

Pergunto para a namorada do meu amigo. Eu estava normal diz ela, nada além do mim. Embora que eu não respondia normalmente quando chamavam pelo meu nome.

Não fiz nada de estranho segundo meu amigo, logo isso é bom. Mas onde eu estava enquanto não era eu mesmo? Por que eu estava fazendo coisas que agora não me lembro? Era realmente eu?

Toda as tortuosas perguntas corriam por becos escuros do meu consciente. Espaços em branco de uma memória perdida em meio torpor de uma festa em que eu algo além do mais do que eu sou sozinho.

Então no dia seguinte, ainda sem respostas eu somente olho para o celular e vejo que parte da memória dele foi consumida por algo. Instigado, vasculho todos os seus recursos em busca de algo novo. Para minha surpresa, uma foto da festa. Eu tirei a foto? Aparentemente sim.

Talvez a ultima piada de minha imaginação que finalmente foi libertada por doses de álcool, tomando conta do consciente. Enfim, sonhos podem ser muito divertidos quando eles tomam o seu corpo quando você não está lá.

1 ok e

Pixies - Where is my mind  

With your feet in the air, when your head on the ground
You try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse, when there is nothing in it
And you ask yourself?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
I was swimming in the Caribbean
Animals were hiding behind the rocks. Yeah!
Except the little fish, but he told me east is west
They trying to crack
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
With your feet in the air when your head on the ground
Try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse when there is nothing in it
And you ask yourself
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming

04
Abr

Criando Noites.

Quando as partículas de poeiras são um show em câmera lenta, dançando em frente uma luz branca forte de um holofote, você sabe que a sua cabeça está flutuando em outro lugar, qualquer lugar, menos no agora.

Eu raramente estou onde deveria. Quando estou parado, pode acreditar, não estou ali. Já perdi longas histórias, poemas e músicas em momentos críticos de poucos segundos onde a mente se desliga de onde estou e se esvai para outro lugar.

O corpo reage ao que acontecem com as coisas ao redor, não interage. Vagueio em meio ao que acho ser um linha de pensamento. É como imaginar um raio de luz do ponto de vista do observador. Você está dentro ou fora da luz?

As mãos costumam procurar papel e caneta. Se tiver muita sorte, estou no meio de um texto. Mas quase nunca é assim. A força, essa “luz” sempre vem quando menos se espera.

Com uma caneta na mão eu me perco. A sensação é de desespero.

Como eu vou escrever tão rápido enquanto penso? No teclado, é muito mais fácil. Posso errar que o backspace e o delete são meus amigos para esquecer e concertar erros. Mas com o papel e caneta na mão, a lentidão e os erros são o delete de algo muito bom, que nunca pode vir a se repetir.

Não existe muito tempo. As palavras vem, as imagens surgem. Rimas são raras em meio o que tudo se encaixa para criar uma dança lógica escrita no âmago do caos.

“Ela corre. Seus passos são ouvidos pelos estalos ao encontro com a água da chuva que cobre o piso de cimento imperfeito…”.

A imagem se desloca em meus dedos, não tenho tempo para parar. É vivido. Eu estou lá, vendo tudo, criando cada passo em minha mente e desenhando o traçado mal feito do chão em qual ela corre. A sua respiração é a fôlego que tomo a cada linha terminada. A aflição guia as linhas que tomam a forma do que eu desenho e desejo. O medo que a garota sente, no fundo é a cria do meu próprio universo. Ela foge de mim, o escritor que calculou toda a sua existência em linhas cheias de significados calorosos por humanidade, sendo uma mera vitima da minha vontade de contar a história de como ela chegou em uma situação de perigo.

Eu sou o criador, e o destruidor. O medo e o assassino que busca por ela. Assim como cada dedilhar de minhas idéias são mostradas no papel na forma de mostrar que existe uma esperança. Afinal o suspense é movido pela expectativa de que no final, tudo vai ficar bem. Mesmo que estejamos nos deliciando com a aflição no momento de pavor que monta em nossos olhos e mentes ao consumir esse tipo de histórias.

É tudo tão claro em seus detalhes que chega ser mais que um filme. Eu me encontro em meu mundo. Meus pensamentos são formados em cada detalhe. Materializando cada momento de tensão descrito. A aflição da garota cresce junto com a proximidade do assassino. Ela sabe que morrer nas mãos dele é não será a única coisa. Ele é diferente. Um monstro de histórias para dormir. Histórias antigas.

Nesse momento, quando a ameaça é estabelecida e a garota está cada vez mais presa no labirinto em que entrou. O herói emerge em meio ao conflito.

Suas razões não são nobres, a sua culpa foi detalhadamente criada por séculos de más condutas e atos inimagináveis. Pelo menos para o leitor. Afinal, ao escrever cada ação do “herói” levo em consideração cada detalhe do passado negro que se oculta em seus recentes atos. Meus “heróis” são extensões minhas. Cheios de falhas, que moldam o que viria a ser os seus atos em busca de redenção consigo mesmo. Meus arrependimentos do passado, coisas que não fiz, não tive coragem, normalmente voltam para me atormentar. Em meus “heróis” o passado é a bala que se aproxima em câmera lenta. A definição de que o fim está se aproximando, e que algo precisa ser feito para ele seja parado.

Novamente, eu estou ali. Eu sou o herói. Ou o que pode salvar a garota, assim como acabar com ela ao mesmo tempo.

Tudo acontece em segundos, os detalhes são as linhas que correm pela minha frente. Eu não posso parar, não olho para a minha mão. Simplesmente ela transmite aquilo que eu desejo. Em minha mente, o assassino e o herói são os lados desenvolvidos pelo meu consciente em busca do momento em que tudo se colide. A vida da garota, a motivação do assassino e a culpa do herói.

Seja o que for, onde for. A história me toma. Eu não estou ali. Meu mundo se fecha em prédios altos das minhas histórias. Em delírios absurdos de pensamentos avulsos, de líricas declarações de sentimentos cultivados, em pensamentos de desejos fortes ou em deleites de uma imaginação fértil. Naquele espaço onde o tempo não existe, o corpo não se prega as barreiras do aqui e agora. Eu sonho em meio aos meus pensamentos e devaneios.

Os belos sonhos. Em que as noites são eternas e onde eu crio cada uma delas.

P.S: Isso é um relato da experiência de escrever em meu livro de ficção/fantasia.

02
Abr

Idiocracy

Não sou um cara que procurou por isso, mas me orgulho da situação.

Não sou normal. Eu tenho raiva da normalidade. Não estou falando que saiu pelas ruas como um louco gritando, ou que veste roupas que chamam atenção, (ok, eu desenhei uma tatuagem tribal em uma calça jeans, mas não é nada tão diferente).

Acho que a normalidade, a padronização de um modo, de uma expressão, é a pior coisa que pode acontecer.

Eu não entendo esses “uniformes” que eu vejo esses caras usando na rua. Um boné colorido, mas basicamente branco, colar de sementes, camisas de pagodeiros, bermudas de surfista, e uma sandália ou tênis de corredor. Este é o “teleguiado” básico do gênero masculino. O feminino, tem um certo grau de particularidades, creio eu que se trata bastante do modo como elas tem mais apego ao fator estético de roupas e todos os milhares de apetrechos. Mas sempre há aquela parcela triste que copia o visual da atriz que está fazendo sucesso em tal novela.

Eu sou chato, muito chato. Gosto de sacanear com pessoas cretinas ou medíocres, mas no meu dia a dia, não tenho consideração ou me importo com eles. Mas no momento em que você começa a enxergar clones andando por todos os lados em que você anda, a sensação de paranóia toma conta de seus pensamentos.

“Ok. É hora de aceitar. O mundo está sendo invadido por alienígenas e eles estão tentando se adaptar replicado uma fonte”.

Sinceramente eu queria que fosse esse o caso. Mas acredito que a teoria do crescimento do defict do QI finalmente está entrando em sua curvatura rumo ao espaço.

Claro que não estou simplesmente me atendo para o visual dessas pessoas. Mas também para o seu conteúdo, ou melhor, a praticamente falta dele.

É como ler guia da programação da TV. Você simplesmente precisa passar pelos assuntos sobre o que está passando na Globo ou SBT. Rasos como a profundidade filosófica de um comentarista de jogo de futebol, essas pessoas são levadas acreditar que estão realmente participando de uma vida na sociedade. Ao invés de tomarem para si a consciência de que são simplesmente cobaias criadas para alimentar a sociedade. Meticulosamente sedadas pelos seus vícios. O circo que distrai o carrasco que abate um por um, de trás da cortina, enquanto todos acham que estão arrasando no palco do show do Calypso que são as suas vidas.

Eu não tenho pena dessas pessoas. Ignorância é imposta muita das vezes, mas nesse caso, foi uma escolha pensada e devidamente aceita.

Você conhece essas pessoas, semelhantes ou variações ocorrem em todas as regiões, mas todos os lugares existem aquelas pessoas que você sabe, (não seja tão católico para sentir culpa), eles são somente figurantes em um grande cenário que é este mundo.

Muitos deles até conseguem um papel de liderança. Mas até macacos conseguem resolver quebra cabeças se são treinados para isso.

10
Mar

A Ode to The Beauty.

Alive, posso dizer que foi o adjetivo certo para o final de semana. Inacreditavelmente estou pegando a velha forma, e novamente pude sair para uma festa. Mas antes o belo momento família, em um aniversário de criança.

Eu sei, posso ser um junkie/punk/nerd, mas eu gosto de momentos famíliares. Eu tenho uma alma… Em algum lugar.

Mas logo a noite toma gostos de uva. E o vinho esquenta o corpo preparando para uma noite em homenagem as mulheres.

E posso dizer, a festa estava bem florida. Até demais com alguns caras de vestido querendo entrar de graça na festa. Cada um com a sua loucura.

Lá dentro o álcool estava me mantendo animado o suficiente, mas como sempre, eu me deparei com aquela sensação de deslocamento. Não só eu, como todos os meus amigos. Afinal, a festa tinha várias pessoas muito “novas”, em idade e mentalidade, pode se dizer assim. Não chega a ser um preconceito, não sou altamente sociável. Longe disso, sou muito chato para pessoas. Então foi um tanto estranho ver uma garota tão indiferente quanto eu.

Sabe quando você enxerga todas as suas partes que lhe diferenciam de uma certa massa de pessoas. Não é exatamente algo visível. Simplesmente você sabe que está lá e é assim. Mas no momento que você enxerga isso em outra pessoa, isso lhe intriga.

E assim foi naquela noite.

Ela estava encostada na parede. Uma jaqueta verde se não me engano. Por algum motivo me lembrou a atriz Ellen Page no filme Juno que tanto gosto, mas não era nada parecida na fisiologia. Os olhos eram claros, o que sempre me chama atenção. Cabelos presos de um louro escuro, o que sempre me faz imaginar como seriam eles soltos, o que implica em mais momentos encarando aquela garota que me chamou a atenção com o seu olhar. Quando nos vemos em outros é sempre uma questão de “como isso é possivel?” Linda e com uma atitude que transparecia pela forma como se portava. Encostada em uma parede e constantemente dando cortes em qualquer idiota que se deixava levar simplesmente pela beleza e esqueciam a “Big Picture” e olhar um pouco mais de cuidado. Ela não queria estar ali, estava entediada. Embora a música em si, era do seu agrado, os balanços de leve e as mãos constantemente nos bolsos da jaqueta exibiam que sua vontade era de que nenhuma daquelas pessoas estivesse ali.

Ela aparentava estar acompanhada de amigos, mas pela distância deles, era claro que ela foi arrastada até ali e não fazia questão de ficar perto deles. Ela e seu mundo. Por várias vezes as janelas de nossos olhos se cruzaram. Ela percebeu que eu havia notado algo. Ela sorria de uma forma como se eu estivesse olhando para alguém que queria ficar invisível. E sorriu quando fiz um manejo com a cabeça. Tudo isso enquanto bravamente ela tentava ignorar um idiota qualquer que estava alugando a sua pouca atenção para terceiros. Em certo momento as suas negativas ganham mais ênfase, e ela mostra os dedos, não cheguei a ver, mas acredito que ela exibia um anel de compromisso. Um repelente que nos dias de hoje, e pela taxa de álcool alta em pessoas sem noção, não vem funcionando como antigamente. Aqui a minha mente aplica a lei das variáveis múltiplas. Se ela realmente estivesse namorando, seria bem difícil uma garota com aquela atitude estar ali sozinha. Probabilidades de que o cara seja um idiota, uma briga de casal ou ela simplesmente estava entediada e tentou sair para uma festa e acabou em uma roubada. Mas é claro que em se tratando da minha imaginação, eu tinha a idéia de que ela sistematicamente havia trocado o anel de um dedo para o outro dentro do bolso da jaqueta, para assim se passar por uma garota comprometida. (Sim, é o meu fator escritor elevando as conspirações inúteis à décima potência).

Mas o que eu poderia pensar? Ela era muito interessante para que acreditasse que realmente ela estava comprometida. Não que isso afetaria a minha vontade de aproximação, (não é hipocrisia, eu nunca disse que não era um dos “caras sem noção”), ela aparentava ser boa demais para não valer a tentativa.

A noite continuava e eu procurava me ocupar com a música, que em poucos momentos compensou a minha atenção. Fazia muito tempo que não escutava Go With The Flow do Queens of the Stone Age.

Quando procuro a garota, novamente cercada de idiotas. E dessa vez eram três, e acompanhados de uma amiga que demonstrava o quanto aquelas duas crianças eram “gente fina”.

Eu adoro observar os maneirismos de uma pessoa que me interessa. Calculista, examino todas as reações que a pessoa demonstra com o acontecimento em processo. A forma como o seu sorriso que transbordava sarcasmo e desprezo pelas palavras e inclinações dos idiotas que insistiam em levar um fora longo e sem chances de negociação. Os olhares para cima como buscando uma resposta pelo martírio de ter que passar por tudo aquilo. As palavras sem agressão mas sempre na negativa tendiam a mostrar uma garota sólida em sua vontade e senso de controle. Ela não está feliz com aquilo, mas sabe muito bem que são crianças com quem ela está falando, e paciência é a única saída.

Infelizmente, eu não tinha o resto da noite ao meu favor. E meu tempo estava acabando.

Nossos olhares se intensificaram. Ela parecia ver que eu estava vendo o seu sofrimento. Agora seus amigos estavam ao meio dos idiotas que a cortejavam. Aquilo parecia não ter fim. E o fim da noite havia chegado para mim. Mas eu precisava trocar algumas palavras com ela. Educação e consideração com as pessoas ao redor foram por água abaixo, então atravessei o cordão de pessoas inconvenientes para ser o inconveniente certo para o momento. Ela me recebe com surpresa e um sorriso. Logo recebo uma cotovelada da criança com cara de virgem de comédia romântica de quinta categoria.

“Oi. Eu sei que isso vai soar incrivelmente clichê, mas eu queria conversar com você. Só conversar, será que seria possível?”

Olhares de ódio agora cravejavam o meu corpo na espera de que ele simplesmente pegasse fogo em nome do ódio transmitido.

Ela olha para uma amiga que segurava um dos idiotas. Pode ter sido a pequena comoção ao redor com os amigos, o provável namorado abandonado ou sem idéia do acontecimento, mas ela educadamente disse: “Desculpa, agora não vai dar mesmo”. Aqueles olhos que eu havia passado à noite á aprender a ler demonstravam certa sinceridade. Eu tomei a palavra como verdade e simplesmente falei que “então fica para uma próxima vez”. O belo sorriso e a afirmativa eram receptivos, novamente em minha imaginação, ela até acreditava que esta próxima vez aconteça em um futuro próximo. Assim como eu espero poder concretizar tal promessa.

A noite na festa termina e eu busco não esquecer aquele belo rosto e poder finalmente conversar e descobrir mais sobre aquela bela garota, que tomou minha atenção no meio de tantas outras que ali estavam.

Eu sou um grande fá das mulheres, e como disse antes aqui, de todas que valem à pena. As belas e inteligentes. Nem todas podem ser belas, mas a inteligência é fundamental.

E em minha busca por aquela que vá fazer da minha jornada por esta terra mais agradável, eu vou em busca da THE ONE, aquela que no meio de tantas belezas e intrigantes personalidades, possa me redimir ao mero papel de homem adorador de sua existência.

To all the beauties and goddess, I cherish you all! Feliz dia das mulheres!

P.S: Eu espero que você já tenha feito em sua cabeça que parte deste texto foi arquitetado para lembrar uma cena em particular do filme Transppotting.

Se isso não ocorreu, eu espero que para o seu bem, você não se lembre da cena, mas assistiu o filme.

06
Mar

I’m Afraid of Sobers!

Finalmente!

Eu já estava me sentindo um religioso. Mais de dois meses sem ir para uma festa de verdade.

O álcool estava se tornando só mais uma lembrança das drogas que já passaram pelo meu corpo. Então eis que no dia 1° de março acontece uma festa. E vergonhosamente eu devo dizer. Nessa festa, as pessoas sóbrias me assustaram.

Era uma festa a fantasia, muito atrasada para o carnaval, mas está valendo. Afinal não é todo dia que eu consigo uma fantasia de fugitivo da rehab, então eu precisava ir a caráter.

Como era de se esperar, poucas pessoas se tocaram da fantasia em si, (ficaram me confundindo com fantasia de gari, mas tudo bem), mas não tirou em nada a diversão da noite. (Sim, eu subi no caminhão de lixo que passou na frente da festa, e sim, eu estava bêbado).

Fazia parte da noite e da fantasia, então logo eu bebi. E por Baco! Uma cerveja nunca foi tão doce! Era como se estivesse voltando a andar, depois de meses em uma cadeira de rodas. Como diria meus amigos escoceses, “meu fígado é um músculo”, e como ele precisava se exercitar!

No primeiro copo era: “Hey you! I remember you! Welcome back my friend”.

Em seguida foi à alegria chegando junto com os amigos. Pessoas com fantasias bizarras e todo tipo de figuras que não colocava o olho fazia meses estavam por lá.

Entrando, minutos depois toca a uma das minhas músicas favoritas. Sendo um junkie de classe, não faço feio quando me empolgo com uma música, (new born – Muse).

Ao fim das ultimas notas de guitarra eu sabia, meu corpo vai estar estragado no dia seguinte. Mas seguindo em frente. Outro copo, mais músicas e a diversão é plena.

Eu canto, pulo, berro e pergunto “How the things on the west cost?” com o Interpol. Vibro “Everlong” com Foo Fighters and I wonder

Elas, belas mulheres. Ah que belas! Novas faces, algumas que não encontrava há tempos e outras que como sempre, o desejo é grande, mas a possibilidade é improvável demais. Um dia desses, uma das belas mulheres me disse que eu não sabia o que eu queria. Longe de ser verdade! O que eu quero não posso, logo quero todo o resto.

Estava começando a ficar tarde, e logo as partes ruins de festas assim se manifestaram. Não sei se foi o caso do álcool, mas acredito que dois caras foram de sunga e pranchas de surf para festa. Soa até engraçado, mas não era.

Então quando eu me viro para o lado e vejo casais indies trocando beijos… Assim como parceiros! Eu começo a acreditar que a minha bebida não é tão forte quando deveria. Que tipo de água aquelas pessoas estavam tomando? Espera. Um deles nem bebe que eu sei! What fuck is wrong with the world?

Naquela noite, (por mais que tenha visto muita coisa em festas muito mais junkies do que essa), vi que é sempre bom nunca subestimar mulheres que querem lhe instigar e fazer o seu queixo cair.

Não importa a quantidade de cigarros ou litros de álcool no corpo. Existem coisas que as mulheres fazem só para lhe deixar sem ação e rir de você enquanto você se pergunta, “onde diabos eu vim parar, e como é que isso foi acontecer?”

Novamente ao chegar em casa, só puder olhar para o céu e agradecer, não a Deus, por que se ele for o responsável por essa noite, o mundo está além do seu fim, se perdeu de vez e Lúcifer está dando as cartas. Mas sim a momentos como essa noite, onde amigos, álcool, música e belas mulheres fazem a receita para me lembrar que existe salvação no meio de tanta coisa que eu odeio ao meu redor.